sábado, 26 de junho de 2010

Notas soltas

A cada dia que passa...

A cada dia que passa, a cada mês, a cada ano, vou conseguindo discernir e escolher o que é bom e quem é bom para mim, quem me pode trazer um pouco de amizade, de conforto, de paz.
De paz, é isso que preciso depois de tão dura travessia pelos caminhos curvos e recurvos da vida. Caminhos de poeiras vermelhas e castanhas-terra, levantadas do chão, pelas quedas e pela força de me arrastar.
Aprendi o que é estar sozinha. Aprendi que mesmo que nos digam, "eu estou contigo, sempre estive contigo", não é verdade... Não estiveram.
Nos dias escuros e convexos da minha vida, tive como companhia a solidão, foi no regaço dela que pousei a cabeça e que lamentei a minha ingenuidade. Embalou-me e ensinou-me que só posso contar comigo.
Agora, já sei dizer, "não". Sei dizer, "não me humilham mais". Sei dizer, "gosto de mim".
Já não me importo que me voltem as costas, de não ver o rosto do mundo, mas eu não me volto, fico firme no meu lugar, nem que os meus olhos nada vejam para além de uma muralha viva. Já não me importo...
Esta indiferença, é o resultado de uma aprendizagem dolorosa, extremamente dolorosa, feita de momentos de amargura, de desânimo, de descrença, de solidão. Surpreendentemente, estes momentos fortalecem e impulsionam a nossa alma até ao eterno, tal qual as nuvens brancas num céu azul, empurradas pelos ventos, a vaguearem no infinito. Não se desmancham em frágeis flocos brancos, apenas se deslocam silenciosamente, e uma ou outra, adquirem formas peculiares. Outras há, que não observamos mudanças externas, as mudanças operadas são internas, profundas. Essas mudanças internas, conjugam forças capazes de destruir ou edificar o ser humano. São essas mudanças que abrem caminhos, que descortinam novos horizontes, que nos mostram qual o nosso lugar.
No que conheço de mim, e é tão pouco, era pintada de tons suaves em aguarela e de formas meigas e arredondadas, quase planas. Hoje, sou pintada a óleo em tons fortes de vermelhos e negros, com formas espiraladas. Os vermelhos são a dor e as lágrimas, os negros as lutas travadas, a maioria perdidas, algumas vencidas. Saí amachucada, humilhada, mas inteira. Eu sou inteira!


Maria S.