O desenvolvimento humano é estudado em diferentes áreas das ciências humanas especificamente no âmbito da Psicologia do Desenvolvimento, classificando-se como complexo e em permanente evolução, resulta de uma multiplicidade de factores, biológicos, psicológicos, sociais e culturais, desde a concepção do homem, até à sua morte. O desenvolvimento caracteriza-se pelas mudanças que ocorrem no indivíduo ao longo da sua vida, é o resultado de um processo contínuo que interfere na sua estrutura, pensamento e consequentemente no seu comportamento. O ser humano não é imutável. Mudamos mesmo depois de atingir a adultez, e em diferentes fases da vida e com diferentes exigências.
É através de estádios que é conceptualizada a evolução humana. Cada estádio do desenvolvimento é uma estrutura com características que lhe são inerentes, que possibilitam uma melhor adaptação do indivíduo ao meio, segundo uma sequência de padrões e uma evolução integrativa, já que as estruturas adquiridas num estádio dependem do estádio antecedente e irão afectar o estádio seguinte.
No estudo do desenvolvimento humano têm sido debatidas questões pertinentes relativas à influência que a hereditariedade e o meio têm neste processo, e qual a sua importância. Surge assim, algumas abordagens e teorias que defendem uma ou outra e a importância quantitativa e qualitativa das duas questões.
Na abordagem maturacionista, perspectiva-se o desenvolvimento humano, a partir da hereditariedade, defende uma predeterminação genética em que as características do ser humano provêm de um código genético herdado. O meio é irrelevante no desenvolvimento humano. Num panorama abrangente e interactivo, surge a abordagem interaccionista que valoriza de forma semelhante os factores hereditários e os contextuais e de aprendizagem. As correntes construtivista (Piaget) e psicossocial (Erikson), defendem a co-importância do meio e da hereditariedade no desenvolvimento humano. Actualmente é impensável dissociar o biológico/inato e o social/adquirido. As mudanças desenvolvimentais apoiam-se nestas duas vertentes, pois elas interagem numa perspectiva construtivista e interaccionista. Assim, o indivíduo é apresentado como uma unidade biopsicossocial, as capacidades inatas, necessitam de um meio estruturado que permita a sua evolução. Para tentar explicar o desenvolvimento do ser humano, surgem diversas teorias algumas, como a Psicanalista que supõe o desenvolvimento humano a partir de impulsos e motivações internas (normalmente inconscientes e irracionais) através de estádios que têm origem na infância. Sigmund Freud é o mentor desta teoria, que se perspectiva na evolução psicossexual do indivíduo, do nascimento à puberdade, sendo a concepção basilar desta teoria a sexualidade infantil. Um dos seguidores desta teoria que depois a reformulou, foi Eikson que embora reconhecendo a importância das forças inconscientes e irracionais, acredita que a natureza que conduz o desenvolvimento, não é libidinal mas sim de origem psicossocial. Temos também a teoria Behaviorista que surge nos princípios do Séc. XX, sendo o objecto de estudo do comportamento observável, não dando relevância aos pensamentos, sonhos ou sentimentos próprios do comportamento. Para os seguidores desta teoria a aprendizagem e o desenvolvimento humano, provêm de pressupostos inerentes ao condicionamento clássico (Pavlov) e mais tarde ao condicionamento operante (Skinner). Esta teoria tem como base o conceito do filósofo Jonh Locke de “tábua rasa”. Seguidamente, surge a teoria Cognitivista, através de Piaget, que veio trazer uma nova luz às concepções de inteligência e desenvolvimento cognitivo e passa por entender estrutura da natureza e da evolução do conhecimento. O sujeito quando nasce, traz consigo um património genético que o capacita na interacção com situações quotidianas que vai vivenciando. É uma teoria psicobiológica interaccionista, possibilita um processo dinâmico e de equilíbrio entre o organismo e o meio, através da assimilação, acomodação, adaptação e consequentemente a equilibração. Por fim, surge a teoria Humanista em contraposição à behaviorista e à teoria freudiana promove uma visão holística da personalidade, defende que as pessoas são espontâneas, autodeterminadas, criativas e que tomam decisões autónomas ao longo da vida. Constitui uma ligação estreita com o existencialismo.
1. A espécie humana é entre todas as espécies, a de mais lento crescimento e desenvolvimento. Durante um longo período de tempo o ser humano depende dos seus progenitores para a sua protecção e satisfação das necessidades básicas. Ao nível motor, intelectual e psicológico, precisa de muito mais tempo para se tornar autónomo e bastar-se a si próprio. O ser humano é mais demorado no desenvolvimento de capacidades que lhe permitam sobreviver sozinho. Na espécie humana a aprendizagem é decisiva e mais lenta mas temos o privilégio dessa mesma aprendizagem, ter um poder quase ilimitado. Através de uma herança genética cada ser vivo é programado para se desenvolver e evoluir, num determinado ritmo que lhe possibilite a sua sobrevivência e a da sua espécie, face às dificuldades que vai encontrar no meio envolvente.
2. Os estudos de Goddart, tentaram provar que o desenvolvimento humano se perspectiva, segundo uma predeterminação genética. Considerando que as características do ser humano, são fundamentalmente transmitidas através de um código genético. A hereditariedade é determinante no comportamento dos indivíduos. Mas uma leitura mais atenta do texto, para além do que Goddart tentou provar, podemos observar que, o que ficou demonstrado foi que a hereditariedade, só por si, não é a primordial determinante do comportamento do ser humano, a influência do meio em que são criados os filhos, também determinarão e comprometerão os seus comportamentos. Filhos nascidos em circunstâncias pouco propícias e num meio inadequado ao seu pleno desenvolvimento, resulta num desequilíbrio desse mesmo desenvolvimento.
3. Watson, em 1927, ao proferir a sua célebre frase “Dêem-me um bebé e eu farei dele o que quiser…”, quis demonstrar a supremacia no meio ambiente no desenvolvimento humano, apoiando-se na teoria behaviorista que assenta na ideia de “tábua rasa” (Jonh Locke, 1632-1704), segundo a qual a criança quando nasce é desprovida de ideias e de concepções inatas, considerando o meio ambiente responsável pela construção do ser humano que incidente no comportamento, sentimentos e pensamentos, desvalorizando a predeterminação genética.
4. Os apoiantes da corrente maturicionista, defenderiam que aquela criança, conseguiu desenvolver algumas aptidões, tal como a linguagem, a postura e os afectos, devido à influência da hereditariedade e transmissão de um código genético de pais para filhos, que lhe possibilitou recuperar alguns comportamentos normais na espécie humana. Se não existisse uma predeterminação genética/inata, estas aptidões jamais se desenvolveriam e ele permaneceria alheio ao mundo do Homem, não conseguindo interagir e comunicar com os da sua espécie. Os apoiantes da teoria behaviorista, argumentariam que o facto de a criança viver até aos doze anos em estado selvagem e num ambiente hostil, ao qual se adaptou e se moldou para conseguir sobreviver, lhe limitou o seu normal desenvolvimento como ser humano, nunca conseguindo ultrapassar as limitações impostas por anos de isolamento e de inexistência de contacto com os seus pares. O meio ambiente teve aqui um peso para o bem e para o mal, moldou-o de forma a conseguir sobreviver num meio adverso e posteriormente em contacto com os da sua espécie, adquirir alguns comportamentos ditos normais na espécie humana.
5. Penso que ambas as correntes, a nature e a nurture, são importantes no desenvolvimento harmonioso e equilibrado do ser humano. O Homem quando nasce, traz consigo um património genético que vai permitir e estimular a interacção com o meio ambiente, através das suas experiências de vida. Existe uma simbiose entre o organismo e o meio ambiente que favorece e proporciona uma aprendizagem correcta e ilimitada. O ser humano é o resultado de múltiplos factores, biológicos, psicológicos, sociais e culturais que interagem de forma a criar condições para o desenvolvimento cognitivo e consequentemente da aprendizagem.
6. 1 – Discordo, 2 – Concordo, 3 – Discordo muito, 4 – Discordo muito, 5 – Discordo, 6 - Concordo muito.
Referências Bibliográficas
Tavares, José et al. – Manual de Psicologia do Desenvolvimento e Aprendizagem
Morgado, Lina e Costa, Angelina – Textos de Apoio ao Tema 1 – Teorias Implícitas sobre o Desenvolvimento.