terça-feira, 30 de março de 2010

E-fólio A de Psicologia do Desenvolvimento

Resumo do Capítulo 2

O desenvolvimento humano é estudado em diferentes áreas das ciências humanas especificamente no âmbito da Psicologia do Desenvolvimento, classificando-se como complexo e em permanente evolução, resulta de uma multiplicidade de factores, biológicos, psicológicos, sociais e culturais, desde a concepção do homem, até à sua morte. O desenvolvimento caracteriza-se pelas mudanças que ocorrem no indivíduo ao longo da sua vida, é o resultado de um processo contínuo que interfere na sua estrutura, pensamento e consequentemente no seu comportamento. O ser humano não é imutável. Mudamos mesmo depois de atingir a adultez, e em diferentes fases da vida e com diferentes exigências.

É através de estádios que é conceptualizada a evolução humana. Cada estádio do desenvolvimento é uma estrutura com características que lhe são inerentes, que possibilitam uma melhor adaptação do indivíduo ao meio, segundo uma sequência de padrões e uma evolução integrativa, já que as estruturas adquiridas num estádio dependem do estádio antecedente e irão afectar o estádio seguinte.

No estudo do desenvolvimento humano têm sido debatidas questões pertinentes relativas à influência que a hereditariedade e o meio têm neste processo, e qual a sua importância. Surge assim, algumas abordagens e teorias que defendem uma ou outra e a importância quantitativa e qualitativa das duas questões.

Na abordagem maturacionista, perspectiva-se o desenvolvimento humano, a partir da hereditariedade, defende uma predeterminação genética em que as características do ser humano provêm de um código genético herdado. O meio é irrelevante no desenvolvimento humano. Num panorama abrangente e interactivo, surge a abordagem interaccionista que valoriza de forma semelhante os factores hereditários e os contextuais e de aprendizagem. As correntes construtivista (Piaget) e psicossocial (Erikson), defendem a co-importância do meio e da hereditariedade no desenvolvimento humano. Actualmente é impensável dissociar o biológico/inato e o social/adquirido. As mudanças desenvolvimentais apoiam-se nestas duas vertentes, pois elas interagem numa perspectiva construtivista e interaccionista. Assim, o indivíduo é apresentado como uma unidade biopsicossocial, as capacidades inatas, necessitam de um meio estruturado que permita a sua evolução. Para tentar explicar o desenvolvimento do ser humano, surgem diversas teorias algumas, como a Psicanalista que supõe o desenvolvimento humano a partir de impulsos e motivações internas (normalmente inconscientes e irracionais) através de estádios que têm origem na infância. Sigmund Freud é o mentor desta teoria, que se perspectiva na evolução psicossexual do indivíduo, do nascimento à puberdade, sendo a concepção basilar desta teoria a sexualidade infantil. Um dos seguidores desta teoria que depois a reformulou, foi Eikson que embora reconhecendo a importância das forças inconscientes e irracionais, acredita que a natureza que conduz o desenvolvimento, não é libidinal mas sim de origem psicossocial. Temos também a teoria Behaviorista que surge nos princípios do Séc. XX, sendo o objecto de estudo do comportamento observável, não dando relevância aos pensamentos, sonhos ou sentimentos próprios do comportamento. Para os seguidores desta teoria a aprendizagem e o desenvolvimento humano, provêm de pressupostos inerentes ao condicionamento clássico (Pavlov) e mais tarde ao condicionamento operante (Skinner). Esta teoria tem como base o conceito do filósofo Jonh Locke de “tábua rasa”. Seguidamente, surge a teoria Cognitivista, através de Piaget, que veio trazer uma nova luz às concepções de inteligência e desenvolvimento cognitivo e passa por entender estrutura da natureza e da evolução do conhecimento. O sujeito quando nasce, traz consigo um património genético que o capacita na interacção com situações quotidianas que vai vivenciando. É uma teoria psicobiológica interaccionista, possibilita um processo dinâmico e de equilíbrio entre o organismo e o meio, através da assimilação, acomodação, adaptação e consequentemente a equilibração. Por fim, surge a teoria Humanista em contraposição à behaviorista e à teoria freudiana promove uma visão holística da personalidade, defende que as pessoas são espontâneas, autodeterminadas, criativas e que tomam decisões autónomas ao longo da vida. Constitui uma ligação estreita com o existencialismo.

1. A espécie humana é entre todas as espécies, a de mais lento crescimento e desenvolvimento. Durante um longo período de tempo o ser humano depende dos seus progenitores para a sua protecção e satisfação das necessidades básicas. Ao nível motor, intelectual e psicológico, precisa de muito mais tempo para se tornar autónomo e bastar-se a si próprio. O ser humano é mais demorado no desenvolvimento de capacidades que lhe permitam sobreviver sozinho. Na espécie humana a aprendizagem é decisiva e mais lenta mas temos o privilégio dessa mesma aprendizagem, ter um poder quase ilimitado. Através de uma herança genética cada ser vivo é programado para se desenvolver e evoluir, num determinado ritmo que lhe possibilite a sua sobrevivência e a da sua espécie, face às dificuldades que vai encontrar no meio envolvente.

2. Os estudos de Goddart, tentaram provar que o desenvolvimento humano se perspectiva, segundo uma predeterminação genética. Considerando que as características do ser humano, são fundamentalmente transmitidas através de um código genético. A hereditariedade é determinante no comportamento dos indivíduos. Mas uma leitura mais atenta do texto, para além do que Goddart tentou provar, podemos observar que, o que ficou demonstrado foi que a hereditariedade, só por si, não é a primordial determinante do comportamento do ser humano, a influência do meio em que são criados os filhos, também determinarão e comprometerão os seus comportamentos. Filhos nascidos em circunstâncias pouco propícias e num meio inadequado ao seu pleno desenvolvimento, resulta num desequilíbrio desse mesmo desenvolvimento.

3. Watson, em 1927, ao proferir a sua célebre frase “Dêem-me um bebé e eu farei dele o que quiser…”, quis demonstrar a supremacia no meio ambiente no desenvolvimento humano, apoiando-se na teoria behaviorista que assenta na ideia de “tábua rasa” (Jonh Locke, 1632-1704), segundo a qual a criança quando nasce é desprovida de ideias e de concepções inatas, considerando o meio ambiente responsável pela construção do ser humano que incidente no comportamento, sentimentos e pensamentos, desvalorizando a predeterminação genética.

4. Os apoiantes da corrente maturicionista, defenderiam que aquela criança, conseguiu desenvolver algumas aptidões, tal como a linguagem, a postura e os afectos, devido à influência da hereditariedade e transmissão de um código genético de pais para filhos, que lhe possibilitou recuperar alguns comportamentos normais na espécie humana. Se não existisse uma predeterminação genética/inata, estas aptidões jamais se desenvolveriam e ele permaneceria alheio ao mundo do Homem, não conseguindo interagir e comunicar com os da sua espécie. Os apoiantes da teoria behaviorista, argumentariam que o facto de a criança viver até aos doze anos em estado selvagem e num ambiente hostil, ao qual se adaptou e se moldou para conseguir sobreviver, lhe limitou o seu normal desenvolvimento como ser humano, nunca conseguindo ultrapassar as limitações impostas por anos de isolamento e de inexistência de contacto com os seus pares. O meio ambiente teve aqui um peso para o bem e para o mal, moldou-o de forma a conseguir sobreviver num meio adverso e posteriormente em contacto com os da sua espécie, adquirir alguns comportamentos ditos normais na espécie humana.

5. Penso que ambas as correntes, a nature e a nurture, são importantes no desenvolvimento harmonioso e equilibrado do ser humano. O Homem quando nasce, traz consigo um património genético que vai permitir e estimular a interacção com o meio ambiente, através das suas experiências de vida. Existe uma simbiose entre o organismo e o meio ambiente que favorece e proporciona uma aprendizagem correcta e ilimitada. O ser humano é o resultado de múltiplos factores, biológicos, psicológicos, sociais e culturais que interagem de forma a criar condições para o desenvolvimento cognitivo e consequentemente da aprendizagem.

6. 1 – Discordo, 2 – Concordo, 3 – Discordo muito, 4 – Discordo muito, 5 – Discordo, 6 - Concordo muito.


Referências Bibliográficas
Tavares, José et al. – Manual de Psicologia do Desenvolvimento e Aprendizagem
Morgado, Lina e Costa, Angelina – Textos de Apoio ao Tema 1 – Teorias Implícitas sobre o Desenvolvimento.

Marilion "EASTER"

quinta-feira, 25 de março de 2010

A Dança da Psique



A dança dos encéfalos acesos
Começa. A carne é fogo. A alma arde. A espaços
As cabeças, as mãos, os pés e os braços
Tombam, cedendo à ação de ignotos pesos!

É então que a vaga dos instintos presos
- Mãe de esterilidades e cansaços -
Atira os pensamentos mais devassos
Contra os ossos cranianos indefesos.

Subitamente a cerebral coréia
Pára. O cosmos sintético da Idéia
Surge. Emoções extraordinárias sinto...

Arranco do meu crânio as nebulosas.
E acho um feixe de forças prodigiosas
Sustentando dois monstros: a alma e o instinto!


Augusto dos Anjos
(1884-1914)

quarta-feira, 24 de março de 2010

Senso Comum

Diferentes conceitos que temos sobre o mundo, sobre a vida, ou sobre o comportamento das pessoas baseiam-se no senso comum. Manifesta-se através de um conjunto de opiniões e valores que são comuns numa determinada sociedade. Traduz-se num nível de conhecimento que é subjectivo, superficial, pouco crítico e não científico. O senso comum está ligado ao processo de socialização. As pessoas, em geral, recorrem às suas próprias observações dos factos quotidianos para constituir um conjunto de conhecimentos que lhes permitam entender, de forma mais ou menos ordenada, como funciona o mundo em que vivem e que varia de época para época.



"Burro velho, mais vale matá-lo que ensiná-lo"




Nada mais errado!

Para contrariar este conceito temos a “Aprendizagem ao longo da vida”, que se traduz na promoção da aprendizagem em qualquer momento da vida do ser humano, com o propósito de melhorar os conhecimentos, as capacidades e competências, numa perspectiva pessoal, cívica, social e profissional, podem ser utilizadas formas diferentes de aprendizagem, nomeadamente a aprendizagem formal, não formal e informal, desde a infância à velhice.





"Entre marido e mulher, não metas a colher"

Já lá vai o tempo, já lá vai o tempo…
Na verdade, nos tempos dos meus avós e dos meus pais, foi assim!
Presentemente, com as alterações ao Código Penal, introduzidas pela Lei n.º7/2000, de 27 de Maio, o crime de maus tratos passou a assumir a natureza de crime público, o que significa que o procedimento criminal não está dependente de queixa por parte da vítima, bastando uma denúncia ou o conhecimento do crime, para que o Ministério Público promova o processo.
E assim, damos continuidade à mudança de valores, comportamentos e atitudes para uma sociedade mais justa, mais equilibrada e menos discriminatória.
A título de curiosidade: 43: número de mulheres mortas por violência doméstica durante o ano de 2008. A estatística impressiona: atinge quase uma morte por semana e deixa sem menção todas as que ficaram feridas com gravidade pela agressão dos companheiros e ex-companheiros.»

Visita aconselhada:
UMAR – União de Mulheres Alternativa e Resposta
http://www.umarfeminismos.org/



"Teoria Geocêntrica"

O Senso comum dizia que a terra era imóvel e que o sol girava à sua volta, esta teoria foi defendida por Ptolomeu (Séc.II D.C.) e indiscutivelmente aceite durante séculos. No Séc. XVI a teoria Geocentrista foi posta em causa por Nicolau Copérnico, que defendia ser o Sol e não a Terra, o centro do Universo. Galileu no Séc. XVII, veio corroborar assim a teoria Heliocêntrica de Copérnico. Encontrou resistência por parte da Igreja Católica, que o perseguiu, obrigando-o a negar as conclusões do seus estudos e a reafirmar a sua crença nos relatos bíblicos.

sábado, 20 de março de 2010

O estudo, o tempo e o planeamento



À procura de tempo… O drama da minha vida é a procura de tempo. Tempo para isto, tempo para aquilo, tempo para tudo e tempo para coisa nenhuma. Porque nós também precisamos do tempo para coisa nenhuma, esse é o nosso tempo, tempo de nada fazer, ficar no langor, na letargia.
A frase, hoje usa-se muito nas empresas modernizadas, com altos padrões de produtividade e de excelência, “saber gerir o tempo”, assusta-me. Pois, sou uma péssima gestora, sou um caos, o meu tempo é desordenado, caótico e consegue a proeza de ser diferente do tempo real.
Os ponteiros do meu relógio adquirem vida e são eles que decidem qual a velocidade que devem usar, para fazer o circulo das 0:00 horas às 23:59 horas. Ora essa, quem deveria decidir era eu!
Para se ter sucesso no estudo é preciso o “maldito tempo”. Não, não é verdade, é a “maldita” gestão. O tempo não é “maldito”, a má gestão é que o difama. Umas vezes estudo aos bochechos e depois a ansiedade toma conta de mim e estudo de enxurrada. Tudo errado!
O meu problema reside essencialmente na escolha das prioridades. Qual das tarefas, entre muitas, é mais importante e urgente? Tenho pouca apetência e discernimento para estabelecer prioridades. Será que é genético, ou simplesmente não consegui fazer uma aprendizagem correcta? E Planear? Odeio planear, seja o que for, quanto mais o estudo. Dá comigo em doida. Sempre que planeio, faço tudo, menos o planeado.
Enfim, agora que já li algumas coisitas sobre ”gestão do tempo”, vou experimentar pôr em prática e tentar levar o barco a bom porto. A ver vamos…

quarta-feira, 17 de março de 2010

A vida e as Estações do Ano



Embora efémera, a vida evolui, não é um processo estático, permanente e linear, sofre alterações, nuns indivíduos mais do que noutros mas em todos isso é observável. As mudanças são parte intrínseca a cada ser humano. A evolução do ser humano é uma sucessão de estádios, comparável à natureza, ao planeta, ao cosmos.
Podemos estabelecer uma analogia entre a natureza e o ciclo de vida do Homem, falamos das quatro estações que compõem um ano, que se sucedem umas às outras, usando o mesmo fio condutor, uma linha que une o início ao fim do ano, assim é com o ser humano, existe uma linha invisível que une todos os estádios do seu desenvolvimento desde o nascimento à morte, essa linha é a hereditariedade, palavra comprida mas contida em pequenos genes. Começamos pela Primavera, passamos ao Verão, seguidamente vem o Outono e por fim surge-nos o Inverno, com o ser humano o percurso assemelha-se, temos a Infância, a Adolescência, a Adultez e finalmente a Velhice.
Cada estação tem a sua beleza, a sua dinâmica, interfere positiva ou negativamente no crescimento dos seres vivos, assim, com os humanos o meio ambiente é uma peça fundamental na sua caminhada desde a alvorada até ao crepúsculo.
Com o findar de uma estação, outra se apresenta, vestida de matizes diferentes, de cheiros e brilhos. É chegada a hora da renovação.
Cada estação passa um testemunho à seguinte, assim é com o desenvolvimento humano, cada fase é afectada pela que antecedeu e irá afectar a que a precede.
Tal como na natureza, em que cada ano é diferente de todos os outros, também o indivíduo é único, diferente de qualquer outro, tem a sua própria identidade e personalidade, entre muitas outras diferenças que poderíamos descrever. A vida emerge timidamente, pelo meio alcança o apogeu e maturação, e posteriormente entra no ocaso, assim é como um dos dias da nossa vida, o sol nasce, sobe alto e aquece os seres vivos, para mais tarde se pôr lentamente atrás da linha do horizonte, até desaparecer diante dos nossos olhos e a escuridão descer à terra.

Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades

Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades,
Muda-se o ser, muda-se a confiança;
Todo o mundo é composto de mudança,
Tomando sempre novas qualidades.

Continuamente vemos novidades,
Diferentes em tudo da esperança;
Do mal ficam as mágoas na lembrança,
E do bem, se algum houve, as saudades.

O tempo cobre o chão de verde manto,
Que já coberto foi de neve fria,
E em mim converte em choro o doce canto.

E, afora este mudar-se cada dia,
Outra mudança faz de mor espanto:
Que não se muda já como soía.

Luís de Camões

quarta-feira, 10 de março de 2010

Blog de Psicologia do Desenvolvimento

Este blog foi criado no âmbito da UC Psicologia do Desenvolvimento, da licenciatura em Educação da Universidade Aberta.